Rio de Contas vive fim de semana histórico com Emergência Cultural e Festival Literário
Rio de Contas viveu um fim de semana histórico. No sábado (29), o município sediou simultaneamente a 3ª edição do Forte Cultura – Emergência Cultural da Chapada Diamantina e a FlirContas – Festival Literário de Rio de Contas, que ocorreu entre os dias 27 e 29 de novembro. Os eventos reuniram artistas, escritores, mestres da cultura, lideranças tradicionais e comunidades de todo o território, consolidando a cidade como um dos grandes polos culturais da Bahia.

Depois de Itaitê e Piatã, o Forte Cultura chegou a Rio de Contas promovendo debates sobre clima, identidade, memória, território e políticas culturais. Durante o encontro, a Câmara Técnica de Cultura da Chapada Diamantina alinhou diretrizes e planejou novas ações coletivas para 2025.
“Se não estamos juntos, nada se constrói”, diz Rosa Griô
A griô e articuladora cultural Rosa Griô destacou a força e a importância da união entre os eventos:
“O 3º Forte Cultura – Emergência Cultural, realizado em parceria com o FlirContas e o 1º Encontro dos Pontos de Cultura do Macro Território Centro Sul, foi fundamental. Reunimos atividades que fortalecem nossa cultura, nossas redes e o território. Essa rede, embora às vezes invisível, é palpável: se não estamos juntos, nada se constrói. A participação do Abassá de Oxalá enriqueceu o evento e ajudou a fortalecer o nosso território.”

O evento foi aberto com o espetáculo “Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral”, apresentado por Toni Silva, que emocionou o público ao celebrar ancestralidade e corpo-território.
Protagonismo das comunidades da Chapada
O artista Iôia Brandão chamou atenção para a urgência de valorizar quem produz cultura dentro da Chapada Diamantina:

“A Chapada tem um potencial incrível, mas nem sempre é valorizada. Muitas vezes somos apenas cenário de grandes eventos. O Forte Cultura vem para garantir o protagonismo local e discutir emergência climática, cultura e território.”
Já Pedro Jatobá, da Universidade Livre da Chapada Diamantina (ULCD) e da Produtora Colaborativa da Chapada, ressaltou a importância da Plataforma Rede Cultura Viva, que permitirá maior visibilidade às comunidades, mestres e iniciativas culturais do território.
Histórias, ancestralidade e luta pelo território
O cacique, escritor e pesquisador Juvenal Payayá também emocionou o público com seu depoimento:
“Caminhamos pela Chapada ouvindo histórias, rezas, contos e reminiscências. Vim com meus livros, mas também para aprender e deixar um legado. A emergência cultural nos incentivou a buscar ainda mais cultura para a Chapada.”

Uma das falas mais marcantes foi a da presidenta da FUNARTE, Maria Marighella, que reforçou a relação profunda entre cultura, identidade e território:
“Cultura nasce da experiência do território. Ela fortalece laços comunitários, cria solidariedade e produz riqueza — uma riqueza que deve ser protegida e distribuída. A cultura sempre foi o modo pelo qual povos e territórios se afirmam frente às violências históricas.”
A coordenadora da SUDECULT/SECULT-BA, Laís Abreu, destacou que o encontro reafirma a força da política territorial que vem sendo construída no estado, onde identidade e diversidade dialogam e fortalecem redes no território.
Abassá de Oxalá: articulação e força comunitária
Como proponente do projeto, o Ponto de Cultura Abassá de Oxalá, de Andaraí, teve papel central na mobilização dos mestres, grupos artísticos e comunidades tradicionais da Chapada Diamantina.
A programação incluiu apresentações culturais, rodas de conversa e a exibição da peça “Os presentes de Herberto Sales a Lícia Neves”, realizada anteriormente na FLIAN.

A produtora Mônica Andrade, que também é parte do Abassá de Oxalá, trouxe um dos relatos mais emocionantes:
“A chegada em meio à FlirContas foi como encanteria de quem vê a história ser contada pelos olhos de quem tece esperança. Apesar do devorador das serras e dos modos de bem-viver, nós existimos e resistimos. Nossa arma é a arte-literatura, o conhecimento e a ancestralidade.”
FlirContas: literatura, tradição oral e comunidade
A FlirContas contou com lançamentos de livros, mesas de debate, oficinas, contações de história e apresentações artísticas, reafirmando Rio de Contas como um importante centro cultural da Bahia, onde literatura e tradição caminham juntas.
Uma rede de cultura viva em movimento



O coordenador do projeto, Emílio Tapioca, reforçou a importância do diálogo entre os Pontos de Cultura:
Fotos: Lucas Assunção

“A integração com a FlirContas e o 1º Encontro dos Pontos de Cultura do Território Centro Sul reafirma a frase de Célio Turino: os Pontos de Cultura se encontram para construir a Cultura Viva por meio de uma rede colaborativa e interconectada.”
Segundo a coordenação do Forte Cultura, o trabalho segue nas próximas semanas, com escutas comunitárias sobre:
- identidade e memória local
- usos e sentidos do território
- mapeamento cultural
- formação sobre a plataforma Rede Cultura Viva
- oficinas nas comunidades
O objetivo é consolidar diretrizes e fortalecer a política cultural da Chapada Diamantina.
Apoio e realização
O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e contou com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura. A iniciativa também foi contemplada pela Política Nacional Cultura Viva.

