Patrimônio Rupestre da Bahia: Morro do Chapéu na Chapada Diamantina aposta em mapeamento para conservação do patrimônio rupestre
Na terceira reportagem da série especial Patrimônio Rupestre da Bahia, a Chapada Diamantina é o foco ao integrar as pinturas rupestres nas estratégias de licenciamento ambiental. Após explorar a Serra dos Montes Altos na segunda matéria, a atual edição destaca como ferramentas técnicas e ações compensatórias estão sendo fundamentais para fortalecer a preservação dos sítios arqueológicos.

O Parque Estadual do Morro do Chapéu abriga uma grande quantidade e diversidade de registros rupestres, encontrados tanto dentro da unidade de conservação quanto em sua zona de amortecimento. Esses registros incluem representações da vida cotidiana, fauna, rituais e práticas de caça, oferecendo uma visão única sobre a história ancestral dos povos que habitaram a região.
“Esses registros são como testemunhos de outro tempo, marcando o território com sua diversidade de cores, como amarelo, branco e marrom. São imagens que retratam a natureza, os animais e as tradições culturais desses povos”, explica Mateus Almeida, gestor da unidade.
A proteção desse patrimônio foi incorporada às exigências para a Renovação da Licença de Operação (RLO) do complexo eólico Serra da Babilônia. Dentre as medidas previstas, está o mapeamento e cadastramento dos sítios arqueológicos dentro do parque, ampliando o conhecimento sobre os registros pré-coloniais e garantindo a sua preservação.
Clarissa Meira, especialista da Coordenação de Infraestrutura e Energia (COINE), explica que a compensação ambiental visa mitigar os impactos da atividade licenciada e proteger áreas com grande valor arqueológico. “A compensação ambiental é uma forma de equilibrar os impactos causados pelas atividades do empreendimento, ao mesmo tempo que se busca consolidar ações de proteção nas unidades de conservação”, afirma Clarissa.
Além do mapeamento, as medidas incluem a instalação de sinalização ambiental, a doação de câmeras para monitoramento da fauna, além de equipamentos destinados às comunidades locais, fortalecendo a gestão da unidade e promovendo a integração da sociedade à preservação.
Outra importante ação em andamento é o cadastramento dos sítios rupestres junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o que amplia a base oficial de dados sobre o patrimônio arqueológico da Bahia, consolidando o reconhecimento e a proteção institucional desses bens culturais.
Na próxima e última matéria da série, será apresentada a APA Gruta dos Brejões/Vereda do Romão Gramacho, um dos cenários mais singulares do semiárido baiano, onde patrimônio geológico, arqueológico e biodiversidade se encontram.
Fonte: Ascom/Sema
