A Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrou, na manhã de quinta-feira (8), um ônibus que transportava trabalhadores em condições irregulares de segurança na BR-242, em Seabra, na Chapada Diamantina. O veículo foi abordado no km 409 da rodovia após desrespeitar a sinalização de um trecho em obras e passar sobre cones instalados no sistema Pare/Siga.

A ocorrência chegou ao conhecimento dos policiais por meio de um representante da empresa responsável pela manutenção asfáltica. Por volta das 10h, uma equipe que estava na Unidade Operacional da PRF em Seabra localizou o ônibus e realizou a fiscalização.
Durante a abordagem, os agentes constataram que o veículo transportava sete pessoas acima da capacidade permitida. Além disso, malas, colchões, caixas, eletrodomésticos e outros objetos ocupavam os corredores e os assentos. Alguns passageiros estavam sentados sobre bagagens e encomendas, situação que impedia o uso adequado dos cintos de segurança.
O banheiro do ônibus também estava ocupado por objetos, impossibilitando sua utilização pelos passageiros.
Viagem de 1.600 quilômetros custou R$ 450 por passageiro
Segundo informações repassadas pelo motorista à PRF, o ônibus havia saído de Matutina, em Minas Gerais, com destino a Campo Formoso, no norte da Bahia. Os trabalhadores seguiriam para atuar na colheita de alho.
O percurso era de aproximadamente 1.600 quilômetros, e cada passageiro teria pago R$ 450 pela viagem. O condutor alegou aos policiais que desobedeceu à sinalização do bloqueio viário porque o veículo apresentava problemas nos freios.
A fiscalização também identificou que o transporte interestadual remunerado de passageiros era realizado sem autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Trabalhadores relataram atuação na colheita de alho
Durante as entrevistas realizadas pela equipe policial, alguns passageiros informaram que trabalhavam desde junho de 2026 na colheita de alho em fazendas de uma empresa localizada em Matutina (MG).
De acordo com os relatos, a remuneração era feita por produção, e a contratação do ônibus havia sido intermediada por um organizador de trabalhadores, conhecido como “turmeiro”.
Motorista e veículo foram autuados
Ao todo, a PRF registrou seis infrações de trânsito. Entre elas estão exame toxicológico do motorista vencido, disco-diagrama do cronotacógrafo fora da validade, ausência do intervalo de descanso obrigatório, excesso de lotação, transporte de carga no compartimento de passageiros e realização de transporte remunerado sem autorização.
A ocorrência foi encaminhada ao Ministério do Trabalho, que deverá adotar as providências cabíveis dentro de suas atribuições.
